Mostrando postagens com marcador lendas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lendas. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de junho de 2012

lendas de Xangô






Xangô (do iorubá Şàngó) teria sido, enquanto personagem histórico, o terceiro alafim (soberano) de Oyó. Era filho de Oraniã e de Torossí, filha de Elempê, rei dos tapás, que firmara uma aliança com Oraniã. Xangô cresceu no país de sua mãe indo se instalar, mais tarde, em Kòso (Kossô), onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente, impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kossô. Conservou, assim, seu título de Ọba Kòso que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus orikis (louvores).
Dadá Ajacá, irmão consangüíneo de Xangô, filho mais velho de Oraniã, reinava em Oyó por essa época. Seu caráter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Xangô o destronou e Dadá Ajacá exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de cauris, chamada Adé de Baiâni. Depois que Xangô deixou Oyó, Dadá Ajacá voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se, agora, valente e guerreiro e, voltando-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacou os tapás, sem grande sucesso.

    Xangô na África

Xangô, em seu aspecto de orixá, é filho de Oraniã, tem Iamassé (Iyá Masé) como mãe e é marido de Oiá, Oxum e Obá. Viril e potente, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por este motivo, a morte pelo raio, arma de Xangô, é considerada infamante e uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar, nos escombros, os ẹdùn àrá (pedras de raio) lançados por Xangô e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido. Essas "pedras de raio", na realidade machados neolíticos, são postas sobre um pilão de madeira esculpido, o odó, consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu axé - o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhe a força e a potência.
O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. Fazem-lhe, também, oferecimentos de amalá, iguaria preparada com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É no entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição. O emblema de Xangô é um machado de duas lâminas estilizado, o oxé, que os seus iniciados trazem na mão, quando em transe.

Xangô no Novo Mundo


Changó, representação cubana
O culto de Xangô é muito popular no Novo Mundo, tanto no Brasil como nas Antilhas. Em Recife, seu nome serve mesmo para designar o conjunto de cultos africanos praticados no Estado de Pernambuco.
Na Bahia, seus fiéis usam colares vermelho e branco, como na África. Quarta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Assim que saudam, gritando: Kawó-Kabiyèsílé!, "Venham ver o rei descer sobre a Terra!"
Os tambores bàtá não são conhecidos no Brasil, embora ainda o sejam em Cuba, mas os ritmos batidos para Xangô são os mesmos. São ritmos vivos e guerreiros, chamados tonibobé e alujá, e são acompanhados pelos ruídos dos xerés (chocalhos), agitados em uníssono. A dança preferida de Xangô se faz ao som do alujá, um ritmo quente, rápido, que expressa força e realeza recordando, através do dobrar vigoroso do Rum, os trovões dos quais Xangô é o senhor.
No decurso de suas danças, Xangô brande orgulhosamente seu oxé (machado duplo) e assim que a cadência se acelera ele faz o gesto de quem vai pegar pedras de raio num labá (saco) imaginário, e lançá-las sobre a Terra. O simbolismo de sua dança deixa, a seguir, aparecer seu lado licencioso e atrevido.
No decorrer de certas festas, Xangô aparece frente à assistência, trazendo sobre a cabeça um ajerê, panela cheia de furos, contendo fogo, e começa a engolir mechas de algodão embebidas em dendê e inflamadas, denominadas acará, como na África. É uma referência à lenda segundo a qual Xangô tinha o poder de cuspir fogo.
Na Bahia, segundo consta, existem doze Xangôs: 1. Dadá; 2. Obá Afonjá; 3. Obalubé; 4. Ogodo; 5. Obá Kosô; 6. Jakuta; 7. Aganju; 8. Baru; 9. Oraniã; 10. Airá Intilé; 11. Airá Igbonán; 12. Airá Adjaosi. Na verdade, Dadá (1) é irmão de Xangô, Oraniã (9) é seu pai e Aganju (7), um de seus sucessores. Na Bahia acredita-se que Ogodô (4)é originário do país tapá e que segura dois oxés quando dança, sendo o seu ẹdùn àrá composto de dois gumes. Os Airás (10 a 12) seriam Xangôs muitos velhos, sempre vestidos de branco e usando contas azuis, sẹgi, em lugar de corais vermelhos, como os outros Xangôs. Ao que parece, teriam vindo da região de Savé.
Xangô foi sincretizado com São Jerônimo, no Brasil, e com Santa Bárbara, em Cuba. Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado com São Jerônimo, cuja festa é a 30 de setembro, e Xangô-Moço (Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24 de junho. Em Porto Alegre Xangô Dadá é identificado com São João Batista que no seu dia, 24 de junho, não “baixa” porque, com a queima de fogos que o festejam, ele iria incendiar o mundo
Na Bahia, quando uma festa é celebrada em honra de Dadá, irmão mais velho de Xangô, a cerimônia parece conter reminiscências de fatos antigos, sem que os participantes saibam, muitas vezes as histórias dos iorubás. O iaô de Dadá vem dançar frente a assistência, tendo na cabeça uma coroa, o Adê de Baiâni. Logo depois, Xangô montado sobre um (ou uma) de seus iniciados, toma a coroa, colocando-a sobre sua própria cabeça. Após ter dançado assim adornado por um certo tempo, a coroa é restituída a Dadá. Este elemento do ritual parece ser uma reconstituição do destronamento de Dadá Ajacá por Xangô, e sua volta ao poder, sete anos mais tarde.
O arquétipo de Xangô é o das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância, real ou suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição e, nestes casos, são capazes de se deixarem levar por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso de reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, o arquétipo de Xangô é aquele das pessoas que possuem elevado sentido de sua própria dignidade e de suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo os humores do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.

Xangô e a morte

Segundo Os Nagô e a Morte, de Juana Elbein dos Santos, Xangô representa dinastia, conceitualizando uma corrente de vida ininterrupta, expressa pela função de Alafim, "epítome do poder absoluto da realeza".
Isto faz com que, apesar de Xangô resumir em si a herança, ou melhor, a imagem coletiva dos ancestrais - expressa pela sua parte de branco, de árvore e de madeira - representa fundamentalmente o poder de realização e de elemento procriado, expresso por sua parte de vermelho, de fogo e de trovão. Se, pela sua matéria de origem ancestral e pelo seu aspecto exterior, ele lembra um ancestre egun (um mito conta que Egun roubou suas roupas), sua função consiste em assegurar a vida individualizada na aiê.
Xangô retira-se da cabeça de suas sacerdotisas quando estas estão prestes a morrer. Xangô não fica onde há mortos. Lydia Cabrera, intrigada com esse aspecto de Xangô, perguntou a seus informantes "por que ele tem tanto medo dos mortos". Todos os informantes, unanimemente, responderam que não é uma questão de medo. "Xangô não tem terror dos iku (mortos)", "Xangô não foge dos mortos, ele não tem medo de nada", e a resposta é significativa: "Xangô não gosta 'da queleto' frio porque ele está vivo, quente", dando relevo, segundo Lydia Cabrera, "a uma incompatibilidade essencial do deus com a morte". Interpretamos essa incompatibilidade como resultado de ambos pertencerem a categorias diferentes, sendo o "assento" de Xangô absolutamente diferente do de egun.

Mitos de Xangô


Xangô


  • Durante sua infância, em Tapá, Xangô só pensava em encrenca. Encolerizava-se facilmente, era impaciente, adorava dar ordens e não tolerava nenhuma reclamação. Xangô só gostava brincadeira de guerra e de briga. Comandados pivetes da cidade, ele ia roubar os frutos das árvores. Crescido, seu caráter valente o levou a partir em busca de aventura gloriosas. Xangô tinha um oxé - machado de duas lâminas; tinha também um saco de couro, pendurado em seu ombro esquerdo. Nele encontravam-se os elementos do seu poder ou axé: aquilo que ele engolia para cuspir fogo e amendontrar seus adversários, e a pedras e raios com as quais ele destruía as casas de seu inimigos. O primeiro lugar que Xangô visitou chamava-se Kossô. Ai chegando, as pessoas assustadas disseram: "Quem é esse perigoso personagem!" "Ele é brutal e petulante demais!" "Não o queremos entre nós!" "Ele vai maltratar-nos!" "Ele vai espalhar a desordem na cidade!" "Não queremos entre nós!" Mas Xangô os ameaçou com seu oxé. Sua respiração virou fogo e ele destruiu algumas casas com suas pedras de raio. Todo mundo de Kossô veio pedir-lhe clemência, gritando: Kabiyesi Xangô, Kawo Kabiyesi Xangô Obá Kossô! "Vamos todos ver e saudar Xangô, Rei de Kossô!"
  • Quando Xangô tornou-se rei de Kossô, ele pôs-se à obra. Contrariamente ao que as pessoas desconfiavam e temiam, Xangô fazia as coisas com calma e dignidade e realizava trabalhos úteis à comunidade. Mas esta vida calma não convinha a Xangô, que adorava as viagens e as aventuras. Assim, partiu novamente e chegou à cidade de Irê, onde morava Ogum, o terrível guerreiro, o poderoso ferreiro. Ogum estava casado com Iansã, senhora dos ventos e das tempestades. Ela ajudava Ogum em suas atividades. Todas as manhãs, Iansã o acompanhava à forja e carregava, para ele, as ferramentas. O vento soprava e fazia: fuku, fuku, fuku e Ogum batia sobre a bigorna: beng, beng, beng... Xangô gostava de sentar-se ao lado da forja para ver Ogum trabalhar. Vez por outra, ele olhava para Iansã. Iansã, também, espiava furtivamente Xangô. Xangô era vaidoso e cuidava muito de sua aparência, a ponto de trançar seus cabelos como o de uma mulher. Ele fizera furos nos lobos de suas orelhas, onde pendurava argolas. Que elegância! Muito impressionada pela distinção e pelo brilho de Xangô, Iansã fugiu com ele e tornou-se sua primeira mulher.
  • Xangô voltou por pouco tempo a Kossô, seguindo depois, com seus súditos, para o reino de Oyó, o reino fundado, antigamente, por seu pai Oraniã. O trono estava ocupado por um meio irmão de Xangô, mais velho que ele, chamado Dadá Ajacá, um rei pacífico, que amava a beleza e as artes. Xangô instalou-se em Oyó, um novo bairro que chamou de Kossô. Ele conserva assim, seu título de Obá Kossô - "Rei de Kossô". Xangô guerreava para seu irmão Dadá. O reino de Oyó expandia-se para os quatros cantos do mundo. Ele se estendeu para o Norte. Ele se estendeu para o sul. Ele se estendeu para o Leste e se estendeu para o Oeste. Xangô, então, destronou seu irmão Dadá Ajacá e fez-se rei em seu lugar.
  • Xangô construiu um palácio com cem colunas de bronze e tinha um exército de cem mil cavaleiros. Vivia entre suas mulheres e seus filhos. Iansã, sua primeira mulher, bonita e ciumenta. Oxum, sua segunda mulher, coquete e dengosa. Obá, sua terceira mulher, robusta e trabalhadora. Sete anos mais tarde, foi o fim do seu reino: Xangô, acompanhado de Iansã, subira a colina de Igbeti, cuja vista dominava seu palácio de cem colunas de bronze. Ele queria experimentar uma nova fórmula que inventara para lançar raios. A fórmula era tão boa que destruiu todo o seu palácio! Adeus mulheres, crianças, servos, riquezas, cavalos, bois e carneiros. Tudo havia desaparecido, fulminado, espalhando e reduzido a cinzas. Xangô, desesperado, seguido apenas por Iansã, voltou para Tapá. Entretanto, chegando a Kossô, seu coração no suportou tanta tristeza. Xangô bateu violentamente com os pés no chão e afundou-se terra a dentro. Oxum e Obá transformaram-se em rios e todos tornaram-se orixás.
  • Xangô procurava a melhor forma de governar e de aumentar seu prestígio junto ao seu povo. Conta-se que, para fortalecer seu poder, Xangô mandou trazer da terra dos baribas um composto mágico, que acabaria, contudo, sendo sua perdição. O rei Xangô sempre procurava descobrir novas armas para com elas conquistar novos territórios. Quando não fazia a guerra, cuidava de seu povo. No palácio recebia a todos e julgava suas pendências, resolvendo disputas, fazendo justiça. Nunca se aquietava. Pois um dia mandou sua esposa Iansã ir ao reino vizinho dos baribas e de lá trazer para ele a tal poção mágica, a respeito da qual ouvira contar maravilhas. Iansã foi e encontrou a mistura mágica, que tratou de transportar numa cabacinha. A viagem de volta era longa, e a curiosidade de Iansã sem medida. Num certo momento, ela provou da poção e achou o gosto ruim. Quando cuspiu o gole que tomara, entendeu o poder do poderoso líquido: Iansã cuspiu fogo!
  • Xangô ficou entusiasmadíssimo com a nova descoberta. Se ele já era o mais poderoso dos homens, imaginem agora, que tinha a capacidade de botar fogo pela boca. Que inimigo resistiria? Que povo não se submeteria? Xangô então passou a testar diferentes maneiras de usar melhor a nova arte, que certamente exigia perícia e precisão. Num desses dias, o obá de Oió subiu a uma elevação, levando a cabacinha mágica, e lá do alto começou a lançar seus assombrosos jatos de fogo. Os disparos incandescentes atingiam a terra chamuscando árvores, incendiando pastagens, fulminando animais. O povo, amedrontado, chamou aquilo de raio. Da fornalha da boca de Xangô, o fogo que jorrava provocava as mais impressionantes explosões. De longe, o povo escutava os ruídos assustadores, que acompanhavam as labaredas expelidas por Xangô. Aquele barulho intenso, aquele estrondo fenomenal, que a todos atemorizava e fazia correr, o povo chamou de trovão. Mas num daqueles exercícios com a nova arma, o obá errou a pontaria e incendiou seu próprio palácio. Do palácio, o fogo se propagou de telhado em telhado, queimando todas as casas da cidade. Em minutos, a orgulhosa cidade de Oió virou cinzas.
  • Passado o incêndio, os conselheiros do reino se reuniram, e eviaram o ministro Gbaca, um dos mais valentes generais do reino, para destituir Xangô. Gbaca chamou Xangô à luta e o venceu, humilhou Xangô e o expulsou da cidade. Para manter-se digno, Xangô foi obrigado a cometer suicídio. Era esse o costume antigo. Se uma desgraça se abatia sobre o reino, o rei era sempre considerado o culpado. Os ministros lhe tiravam a coroa e o obrigavam a tirar a própria vida. Cumprindo a sentença imposta pela tradição, Xangô se retirou para a floresta e numa árvore se enforcou. '"Oba so!", "Oba so!" "O rei se enforcou!", correu a notícia. Mas ninguém encontrou seu corpo e e logo correu a notícia, alimentada com fervor pelos seus partidários, que Xangô tinha sido transformado num orixá. O rei tinha ido para o Orum, o céu dos orixás. Por todas as partes do império os seguidores de Xangô proclamavam: "Oba ko so!", que quer dizer "O rei não se enforcou!" “Desde então, quando troa o trovão e o relâmpago risca o céu, os sacerdotes de Xangô entoam: "O rei não se enforcou!" "Oba ko so! Obá Kossô!" "O rei não se enforcou".”

Xangô na Umbanda


São Jerônimo, sincretizado com Xangô na Umbanda
Na Umbanda, as cores de Xangô são o marrom e amarelo-ouro. Ele bebe cerveja preta e tem sua morada e o seu altar na rocha, de preferência onde haja também uma cachoeira. Seu axé está concentrado nas formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços. Suas pedras são inteiras, duras de se quebrar, fixas e inabaláveis, como o próprio Orixá.
É o Orixá da justiça, da retidão, do equilíbrio e determinação, que abomina os mentirosos, os ladrões e os bandidos. Recorrem a ajuda de Xangô os injustiçados e os aflitos, tanto fisicamente como espiritualmente. Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão.
Xangô tem a fama de agir sempre com neutralidade. Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Uma casa atingida por um raio é sinal de descontentamento de Xangô com algum de seus moradores, que deve fazer oferendas para acalmá-lo.
É sincretizado com São Jerônimo, devido às representações do santo nas quais aparece com um leão aos pés, símbolo de realeza para os africanos.







quinta-feira, 17 de maio de 2012

lendas de orixás-olossa

Olosa é a deusa da Lagoa de Lagos, e a esposa principal de seu irmão Olookun, o deus do mar.Ela surgiu a partir do corpo de Yemaja.

Olosa supre seus devotos com peixes, e há vários templos dedicados a ela ao longo das margens da lagoa, onde oferendas de aves e ovelhas são feitas a ela para torná-la propícia. Quando a lagoa está cheia pelas chuvas e transborda dos seus bancos, ela está com raiva, e se a inundação for séria, uma vítima humana é oferecido a ela, para induzi-la a retornar dentro de seus próprios limites.

Crocodilo
Crocodilos são considerados os mensageiros de Olosa, e não pode ser molestados. Eles são incubidos de carregar as oferendas à deusa das ofertas depositadas pelos fiéis nas margens da lagoa ou jogadas no junco da lagoa. Alguns crocodilos, selecionados pelos sacerdotes por causa de determinadas marcas feitas por eles, são tratados com grande veneração, e têm galpões rudes, cobertos com folhas de palmeira, erigida para seu alojamento perto da borda da água. O alimento é fornecido regularmente a estes répteis a cada cinco dias, ou durante os festivais, e muitos deles tornaram-se suficientemente dóceis ao se aproximar das oferendas, assim que ver ou ouvir os adoradores próximo ao banco de areia da lagoa.

lendas de orixás-Olórun

Ọlọ́run

Olodumare

Ọlọ́run - em Yorubá (ọlọ = Senhor + ọ̀run = céu) - Senhor do Céu - é o nome Yorùbá ao ser singular nas religiões teístas e deístas (e outros sistemas de crença), Quem é, ou a única entidade no monoteísmo, ou uma única entidade no politeísmo. De qualquer maneira, É considerado como um ser auto-existente.
Comumente chamado de Olódùmarè, É frequentemente considerado o governante infinito dos céus, abrangente, e o dono de todas as cabeças. Nenhum gênero lhe é atribuído. Por isso, é comumente referenciado como O ou Ele (embora este se destina a abordar uma singularidade plena). O criador divino e fonte de toda energia, o canal através do qual os pensamentos e ações de cada pessoa no Ayé (mundo) interagem com os de todos os outros seres vivos, incluindo o próprio universo.
Ọlọ́run também tem sido diversamente concebido como sendo incorpóreo, um ser pessoal, a fonte de toda obrigação moral e o maior existente concebível.
Nomes Associados a Ọlọ́run
  • Aditu
  • Alakoso-Orun
  • Alewi-Lese Olumoran-Okan
  • Atererekaye
  • Awamaridi
  • Ẹlẹ́da
  • Ẹlẹ́dàá
  • Eledua
  • Eledumare
  • Eledumaye
  • Oba-Ajiki
  • Oba Aiyeraye
  • Ogus
  • Olódùmarè
  • Olodumaye
  • Olofin-Orun
  • Olu-Ajiki
  • Olu-Eye
  • Olu-Iyi
  • Olu-Orun
  • Oluwa
Olódùmarè
Poucos sacerdotes falam de Olódùmarè, pois não existe nenhum altar, nenhum assentamento dedicado a ele e nenhum filho ou filha lhe é consagrado. A religião é parte essencial da cultura dos povos africanos, e acreditam que Olódùmarè seja o ser supremo, é o Ọba Orum, rei do céu. É ele acima de tudo; onipresente, ele é Ọlọ́run Alagbara, o Deus Poderoso.
Diz a mitologia yorubá que Olódùmarè, junto com a criação do céu e da terra , trouxe para a existência as outras divindades Orixás, para ajudar ele a administrar sua criação, e a importância de cada divindade depende da posição dentro do panteão yorubá. Olódùmarè é o Deus Supremo dos yorubás, merecedor de grande reverência , seu status de supremacia é absoluto.
Ele é onipotente – tão onipotente que para Olódùmarè nada é impossível, ele é o rei cujos trabalhos são feitos para perfeição.
Ele é imortal – Olódùmarè nunca morre, os yorubás crêem que seja inimaginável para Elemi (o dono da vida) morrer.
Ele é Onisciente – Olódùmarè sabe tudo, não existe nada que possa se esconder dele; ele é sábio, tudo está ao seu alcance. Alguns estudiosos dizem que a religião yorubá, é a religião monoteísta mais antiga da humanidade.
Vocabulário
ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | criador. ser supremo
ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | deus
ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | ser supremo
ỌBA ÒGO  n.   | óba ôgo  | Rei da Gloria
ỌBA Ọ̀RUN  n., div.   | óba ôrun  | Rei do Céu. Título de Olodumaré
ỌBÁNGÍJI  n., div.   | óbánguídji  | O Todo Poderoso. Título atribuido a Olodumáre
ỌBÁNGÍJI  n., div.   | óbánguídji  | O Senhor. Título atribuido a Olodumáre
ÒDÙMARÈ  n., div.   | ôdùmarê  | Ser Supremo. Epíteto de Olodumaré
OLÓDÙMARÈ  n., div.   | olódùmarê  | Ser Supremo
OLÒFIN  n., div.   | olôfin  | Epíteto de Olodumare. Deus da Justiça, Tradução Literal: Dono da Lei
ỌLỌ́RUN  n.   | ólórun  | Deus
ỌLỌ́RUN  n., div.   | ólórun  | [ọlọ = Senhor + ọ̀run = céu Deus Supremo. um nome nunca aplicado a deuses menores ou orixás

lendas de orixás- Ajé Saluga

Ajẹ́ Ṣaluga

Ajẹ́ Ṣaluga

Ajẹ́ Ṣaluga, o fi ẹni iwaju silẹ ṣe ẹni ẹ̀hin ni pẹlẹ, orí kí ọ̀ran ki ọ tan
Ajẹ́ muitas vezes passa pela primeira caravana, como se fosse ao mercado, e carrega a última com bênçãos
Ajẹ́ Ṣaluga é a irmã mais nova de Yèmọnja. Ambas são as filhas prediletas de Olóòkun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olóòkun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Aje ṣaluga ganhou o poder sobre as marés. Eram nove as filhas de Olóòkun e por isso se diz que são nove as Yèmọnjas. Dizem que IYèmọnja é a mais velha Olóòkun e que Ajê Salugá é a Olóòkun caçula, mas de fato ambas são irmãs apenas. Olóòkun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece os segredos todos, que são os segredos de Olóòkun. Ajê Salugá era, porém, menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olóòkun saía para o mundo, Ajê Salugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olóòkun disse à sua filha caçula: O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares. Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso. Na próxima vez que Ajê Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olóòkun, seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo. Muitos homens e mulheres olhavam admirados o brilho intenso das ondas do mar e cada um com o brilho ficou cego. Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres. Mas quando Ajê Salugá também perdeu a visão, ela entendeu o sentido do segredo. IYèmọnja está sempre com ela, Quando sai para passear nas ondas. Ela é a irmã mais nova de Yèmọnja.
Este itan descreve a lenda do surgimento do Orixá Aje ṣaluga. Quando se encontrava no céu perto de Mawu, o caramujo Aje se chamava Aina e era do sexo feminino. Naquela época, Fa Ayedogun passava por sérias dificuldades financeiras e, por ser muito pobre, não era convidado a participar de qualquer festa ou reunião social. Aina, recém nascida, era muito feia. Sua aparência terrível fazia com que todos evitassem sua companhia e ninguém aceitava tê-la em casa. Depois de ser rejeitada em todas as casas, Aina bateu na porta de Fa Ayidogun, que apesar do estado de miséria em que se encontrava, acolheu a menina. Uma bela noite, Aina acordou Fa, anunciando que estava prestes a vomitar. O hospedeiro apresentou-lhe uma tigela para que vomitasse, mas ela recusou-se. Uma cabaça foi trazida e também recusada e depois, uma jarra foi objeto de nova recusa. Fá perguntou então, o que poderia fazer para ajudá-la e Aina disse: "Lá no lugar de onde venho, costuma-se vomitar todos os dias, no quarto. Conduzida ao quarto, Aina começou a vomitar todos os tipos de pedras preciosas, brancas, azuis, vermelhas, verdes, etc. Naquele momento, um marabu que passava, penetrou na casa de Fá e perguntou por Aina. "Ela está no quarto, acometida por uma crise de vômitos." Respondeu Fá. O estrangeiro foi ver o que se passava e ao deparar com Aina vomitando pedras preciosas, exclamou: "Ha! Nós não conhecíamos os poderes de Aina, hoje revelados!" Disposto a serví-la, colocou-lhe o nome de Anabi ou Ainayi, que em Yoruba quer dizer: Aina vomita, Aina deu toda riqueza a Fá Ayidogun. Os muçulmanos, depois disto, fizeram de Aina uma divindade, conhecida entre eles, como Anabi
Folhas

lendas de orixás -Eguns


Eguns
O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ

Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religio

Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria
(ver mapa), resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé (ver mapa), de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)

Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.

Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. 

Os textos litúrgicos aqui apresentados fazem parte do jogo de Ifá, no qual. seu senhor e oráculo, a divindade Orunmilá, nos ensina mitos e tradições que foram mantidos através do próprio jogo. Esses conhecimentos, transmitidos a todos oralmente, hoje se tornaram verdadeiras escrituras sagradas (1).
Através deles entendemos o porquê de certos ritos e preceitos usados e conservados no dia-a-dia dos cultos. Vários textos explicam o mesmo fato ou se complementam, e às vezes de forma diferente e aparentemente contraditória; mas isto é reflexo de se terem originado em diferentes regiões. De uma forma ou de outra, porém, chegam aos mesmos fundamentais conceitos religiosos.
(1) Atualmente, vários pesquisadores já registraram em livros as lendas colhidas oralmente entre os iniciados.
Ampliar : Foto de Michael Huet - Gëledê
- Os mortos do sexo feminino são chamados de Ìyámi Agba (minha mãe anciã) e cultuado como uma energia ancestral coletiva, representada por Ìyámi Oxorongá. -

ORIGENS

"De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (opá iku) e matava indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku.
"Um cidadão chamado Ameiyegun prometeu salvar as pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
"Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé.
"Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Orunmilá) disseram a Ameiyegun que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram a Morte."
Egun é a terminação do nome de Ameiyegun, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Egun ou Egungun). É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Eguns se apresentam, hoje, cobertos de panos e portando um cajado.

ORIGEM DOS OIÊ MASCULINOS

"Havia na cidade do Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
"Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada atori e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas.
"Assim ele o fez; seus filhos apareceram. Mas eles tinham rostos e corpos estranhos; era então preciso cobri-los para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
"Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas; as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos. Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse através do ritual do bastão.
"Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas que elas as farão com imenso prazer.
Esta lenda, rica em detalhes, nos explica vários ritos e títulos utilizados no culto.

MITOS de OYÁ E EGUN

"Oyá não podia ter filhos, e foi consultar o babalawo. Este lhe disse, então, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (eewó) que proibia comer carne de carneiro. O sacrifício seria de 18.000 mil búzios (o pagamento), muitos panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer desta carne. quanto aos panos, deveriam ser entregues como oferenda.
"Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos (número mítico de Oyá). Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de ‘Iyá omo mésan’, que quer dizer ‘a mãe de nove filhos’ e que se aglutina Iyansan.
Foto de Michel Huet - Gëledê
Há outra lenda para explicar o mito de Iyansã : "Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia.
"Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta. Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado ijimeré (na Nigéria). Utilizara para isso um galho de atori (ixan) e o vestia com uma roupa feita com várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.
"Seguindo um ritual, conforme Oyá brandia o ixan no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer. Deste modo, durante a noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres (que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados.
"Cansados de tanta humilhação, os homens foram ver o babalawo para tentar descobrir o que estava acontecendo. Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalawo lhes conta a verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia.
"Ogun foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres. Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu. quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares. Todas fugiram apavoradas, inclusive Oyá."
Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de Egun; hoje, eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. Mas, mesmo assim, eles rendem homenagem a Oyá, na qualidade de Igbalé, como criadora do culto de Egun.
Convém notar que, no culto, Egun nasce no bosque da floresta (igbo igbalé). No Brasil, no ilê awo, ele nasce no quarto de balé, onde são colocadas oferendas de comidas e realizadas cerimônias aos Eguns.Oyá é também cultuada como mãe e rainha de Egun, como Oyá Igbalé.
E, como nos explica a lenda, Oyá, a floresta e o macaco estão intimamente ligados ao culto, inclusive em relação à voz do macaco como é o modo de o Egun falar.

ODU TORNA-SE ÌYÁMI

"Nos primórdios da criação, Olodumaré, o Ser Supremo que vive no orun, mandou vir ao aiyé (universo conhecido) três divindades: Ogun (senhor do fèrro), Obarixá (senhor da criação dos homens) (2) e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumarê. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (igbá eleiye) e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade (também chamada de Iyami Oxoronga, minha mãe Oxorongá). Mas Olodumarê a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la.
"Mas ela abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orunmilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia.
Foto de Michel Huet - Gëledê
"Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun. Mostrou-lhe a roupa de Egun, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava. Juntos eles adoraram Egun.
"Aproveitando um dia quando Odu saiu de casa, ele modificou e vestiu a roupa de Egun. Com um bastão na mão, Obarixá foi à cidade (o fato de Egun carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as pessoas. quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun."
O conjunto homem-mulher dá vida a Egun (a ancestralidade), mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumarê através dos abusos de Odu. Também por esta razão é que as mulheres mortas são cultuadas coletivamente, e somente os homens têm direito à individualidade, através do culto a Egun.


  • (2) Um dos Orixás funfun, isto é, Orixás que têm como principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas; em algumas regiões ; Obarixá é adotado como um cognome de Oxalá.
  • terça-feira, 15 de maio de 2012

    lendas de orixás-Iyami Oxorongá

    Iyami Oxorongá - A Temível força da Feminilidade


    “Quando se pronuncia o nome de Yiá Mi Oxorongá, quem estiver sentado deve-se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Orixá, a quem se deve apreço e acatamento”.


        Iyà Mi Oxorongá é a grande representação do Poder Feminino no Awó (Culto) Africano, e, por herança do Candomblé afro-brasileiro. Encontra o seu maior fundamento na capacidade de gestação da Vida que toda a mulher possui. Por isso, toda a mulher é uma Iya Mi latente, esperando apenas o momento certo para nascer. Esta divindade na verdade representa a colectividade ancestral feminina, pois é a síntese da Alma de todas as mulheres juntas. Iya mi Agba, outro nome pelas quais elas podem ser referenciadas, significa Minhas Mães Ancestrais. Mais uma vez ratificando que esta poderosa divindade são as nossas queridas mães, vivas pela eternidade. Algumas vezes é comum ouvirmos se referir a elas como “Minhas Mães Queridas”, que é apenas um artifício para aplacar-lhes a ira, pois o Poder Feminino destas Guardiãs do Segredo da Vida é Terrível! Mas por quê?
         Porque às mulheres cabe o poder de gerar, o poder que dá a Vida. Portanto cabe às mulheres decidir se o rebento vai nascer ou não. E mesmo quando nasce, cabe também, somente a elas, decidir se a criança vive ou não. Assim as Iya Mi (Minhas Mães) são as Senhoras da Vida, mas também, as Senhoras da Morte, que é o corolário da Vida. Todo o ser vivo deve sua Vida à Iyá Mi, pois deve sua Vida à sua Mãe. O Poder pertence às mulheres, afinal: “A mão que balança o berço, é a mão que governa o Mundo”. Não é por acaso que as Iya Mi são tabu na Religião, assim como a Mulher é tabu em todas as sociedades. Porque o poder pertence a elas. 


     

    ODUDUA – A Primeira Iyá Mi

        Quando Olórum (Deus) mandou criar o Aiyé (Plano Manifesto –Plano Material) enviou como seus emissários: Ogún, Obarixá (Oxalá) e Odudua. Destes três, Odudua era a única mulher. À Ogún, Olórum (Deus) deu a ele a espada para abrir qualquer caminho, qualquer possibilidade para atingir o que se desejasse. Conferiu a ele o poder da sobrevivência e do progresso. À Obarixá conferiu o Poder da Criação e o saco da Criação de onde tiraria o que desejasse, tinha o poder do Axé (Força de Realização). E então, Odudua, preocupada com a sua posição diante dos irmãos, voltou e foi suplicar com o Pai: “Olórum meu Pai, conferiste a maior parte dos poderes aos meus irmãos, e ambos são homens, ficarei eu eternamente subjugada a eles que dos três sou a mais frágil?” E Olórum respondeu: “Minha querida filha, voltastes para vir ter comigo, ao seu sinal de confiança em meu amor, dar-te-ei o maior de todos os poderes.” E deu à Odudua o famoso pássaro de Olórum, Aragamago. Odudua espantou-se com tão generosa oferta. Pois era todo o poder da Vida, era a Força do Axé, sem ele, nada se faria, nada se cumpriria. E completou Olórum: “Tens o poder do pássaro, tudo que Ogún e Obarixá quiserem fazer no Aiyé, terão de vir até si. Sem o seu consentimento, nada se realizará. Fica então decretado que tudo o que o homem quiser realizar deverá ter o apoio da mulher”. E então indagou-a: “Odudua, como usarás este formidável poder?”, e ela respondeu:” Aquele que me reverenciar e me pedir uma dádiva, eu dá-la-ei. Mas se esquecer-se de mim, ou demonstrar ingratidão, eu retirarei. Se me pedir um filho, ou dinheiro, eu dar-lhe-ei, mas se esquecer-se de mim, e minha lei não seguir, eu o tomarei de volta”. E assim Olórum disse-lhe: “Está concedido a ti o poder minha filha, mas use-o com sabedoria, se abusares de seu poder, ficarás sem ele”. E assim Odudua retirou-se da presença de Olórum e retornou ao Aiyé, como a mais poderosa dos três e tornou-se a Primeira Iyá Mi Agbá , nossa primeira Mãe Ancestral.
         O Poder de Iya Mi reside na posse do pássaro, sendo o primeiro e mais poderoso o Aragamago de Odudua, a Primeira Iya Mi, do qual descendem todos os outros pássaros que conferem poder e título às demais Iyá Mi. Desta maneira, outro nome pelo qual as Iyá Mi são reverenciadas, e é o nome que se tem maior preferência em chamá-las, pois é o menos perigoso em invocação destas Arcanas Senhoras, seria de Eleyé, ou Senhoras Possuidoras de Pássaros. Porque toda a Iya Mi, para ser Iyá Mi, necessita ter um pássaro na cabaça, que é a Fonte de todo o seu Poder. Uma mulher que é iniciada na socidade Geledé, sociedade das Iya Mi, ou das Iyá Ajé – Mães Feiticeiras, ganha após todos os actos de iniciação e promessa de segredo dos preceitos desta sociedade, uma cabaça, contendo dentro todo o poder do pássaro. Cabaça esta que ela deverá esconder, e somente abrir quando quiser enviar o seu pássaro em uma missão. A Cabaça representa o ventre, e o Pássaro, o poder gerador, ou destruidor.
         As Festas da Sociedade Geledé, em África são comemoradas entre os meses de Março e Maio, pois é um pouco antes da estação das chuvas, representando mais uma vez um culto de fertilidade. Pois toda a Vida na Terra depende do Poder das Iyá Mi. 

     

    Um Terrível Poder ou Uma Dádiva Divina?

        Muito Poder também é Muita Responsabilidade.Odudua foi a primeira Iyá Agbá, mas perdeu o seu poder devido aos abusos que cometeu. Seu poder teve de se sujeitar à Obarixá, graças aos conselhos de Orunmilá (Orixá do Oráculo – Escrivão de Olórum). Pois senão a Existência estaria seriamente comprometida. Assim, o Poder Feminino necessitaria de equilibrar-se com o Poder Masculino para que a Criação seguisse seu Caminho tranquilamente. Desta forma, Orunmilá, o fiel escrivão de Olórum (Deus), que também é o Senhor da Sabedoria e do Oráculo, casou-se com Odudua, irmã de Oxalá, e garantiu assim, através da fecundação de Odudua, a Garantia da Existência. Neste Itán (Lenda Sagrada do Livro de Ifá [o Oráculo]) fica entendido que o Poder do Feminino é Supremo no Aiyé (Plano Material), mas deve ser usado com total responsabilidade, caso o contrário a Iyá Mi sujeita-se a perder o poder, por intervenção de Orunmilá, e de seu sacerdotes, os Babalawós. 

     

    As Conferências Noturnas:

        O Poder de Iyá Mi está vinculado e mais fortalecido à noite, pois sua Força nasceu no Odú Oyekú Meji, que governa a noite. E está representado na Coruja, que rasga à noite, carregando em si, a Força temível de Iyá Mi Oxorongá. Oxorongá que na África é um pássaro cujo o grito aterrador onomatopaico invoca as Iyá Mi. Quando se depara com este pássaro, ou a coruja, a voar espalmado à noite se grita: “Fo,Fo, Fo!” (Voe,voe, voe!) e cobre-se a cabeça, para que ela não pouse sobre ela e traga a Morte. Pois acredita-se que este pássaro pode carregar a Morte ao voar à noite. O poder das Iyá Mi também está associado às fogueiras, pois Iyá Mi desceu à Terra através do Odú Osá, que rege o fogo noturno das fogueiras que iluminam as conferências das feiticeiras. Conferências estas que podem ser usadas para perseguir as pobres víctimas das Ajé (Feiticeiras), que podem amaldiçoar e mandar seus pássaros a buscar o sangue e a Vida de suas víctimas. O Poder de Iyá Mi pode ser terrível, pois é a Senhora da Vida, e também da Morte. Somente Orunmilá pode salvar as víctimas de Iyá Mi Ajé. 

     

    As Conferências Diurnas:

        O Poder de Iyá Mi pode ser também uma grande Dádiva, pois à mulher cabe o Poder para o Milagre aqui na Terra, pois Deus, ouve as mulheres. As maiores representantes do Poder Benfazejo das Iyá Mi são as Obirinxás (Orixás femininos): Oxum, sua rainha, a Senhora da Fertilidade, das Águas doces, do Amor e da Beleza, e a doce Mãe do Ouro e do Mel. Obá, a Guardiã da sociedade Geledé, a guerreira das causas de Amor e de Injustiça. Oyá, ou Iyansan, a Senhora do Vento e dos Espíritos, Deusa da Paixão e Patrona do Movimento Feminista. Iyemanjá, a Senhora das Águas de onde surgiu a Vida, Patrona da Família e Mãe do Parto e de todas as cabeças, e muitas outras Obirinxás fabulosas. Como podemos ver, sem água, sem fertilidade, sem as bênçãos de nossas mães é impossível a Vida e impraticável o Plano Divino de Olórum no Aiyé. Dessa forma, cabe o poder à mulher, e seu poder gerador de milagres, pois, se a Vida é um Milagre, e a mulher é capaz de gerá-lo, também todo e qualquer Milagre Iyá Mi é capaz de gerar. Com a Graça da Mãe Maior – Odudua, esposa de Orunmilá e filha dileta de Olórum.

    lendas de orixás-Ibeji

             Ibeji
    Ìbejì é o Òrìsà dos gêmeos. Da-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.
    Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra ao Òrìsà .
    Conta uma lenda que os Ibejis são filhos paridos por Iansã e jogados nas águas. Osun os abraçou e os criou como se fosse seus filhos.
    O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África Equatorial. A espécie em questão é o colobus polykomos, ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.
    Ao contrário dos erês, entidades infantis ligadas a todos os orixás e seres humanos, são divindades infantis, orixás-crianças. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas...

    São divindades gêmeas infantis, é um orixá duplo e tem seu próprio culto, obrigações e iniciação dentro do ritual.

    Divide-se em masculino e feminino, (gêmeos). No oyó cultua-se como erês ligado a qualidades de xangô e oxun. Popularmente conhecido como xangô e oxun de ibeji.


    Lendas
    dois pequenos príncipes...
    Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximo a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado.

    Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão.


    Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.
     
    Dia da Semana: Segunda-Feira
    Cores:
    Variadas
    Comida:
    Caruru, frutas variadas ou mistura de 2 doces colocados em matos e jardins
    Saudação:
    Ro Ro Ibeji Mi!
    Domínio:
    Tudo que diz respeito às crianças
    Conhecido na Umbanda como Cosme e Damião e, erradamente identificado nos Candomblés como Erês, Ibeji é na realidade a divindade gêmea da vida - uma dualidade de existência que proporciona aos seus filhos certas vantagens em relação aos demais orixás.

    Chamado de Ibeji na nação Ketú ou Yorubá e Tobossi no Gege Vodú, esse orixá-Vodun se identifica no aspecto masculino como Tossé e no feminino como Tossá. Geralmente proporcionam aos seus filhos, famílias extensas ou o aparecimento de filhos gêmeos. Na Nação Angola, Ibeji é conhecido como Vounge Mona Ame.

    lendas de orixás -Orumilá

    Lenda de Òrúnmìlá ou Orumilá
    Orumilá ou OrunmilaQuando Orunmilá (Òrúnmìlá) se cansou de viver na terra e da incompreensão dos homens, resolveu ir para o Òrún, mas antes, deu a cada um de seus 8 filhos, 2 caroços de dendezeiro (IKIN), e disse a eles, que quando precisassem, bastava que jogassem os IKIN e teriam as respostas. Deixando claro que o mais importante, era que eles se unissem, assim como o grupo deverá se manter unido .

    Ori
    - força que orienta o que é bom ou ruim para cada pessoa, é individual. O ÒRÍ tem que ser respeitado, se a pessoa não aceitar é porque o seu ÒRÍ não está aceitando. Deve-se verificar o que acontece no jogo. Cada um recebe seu ÒRÍ de AJALÁ (é um Imole), antes de vir para o AIYE, passa por um "estágio". O ÒRÍ Opele ifásupera todos os orixás; O ÒRÍ é um Imole, ligado só para o bem (da pessoa); O ÒRÍ é a nossa censura; O ÒRÍ não se trai, não se engana, é a nossa própria consciência (os valores mais puros). Isso vem explicar a índole de pessoas más, mesmo nascidas em famílias boas, independente da formação; pessoas sofridas que tem a capacidade de amar, odiar, etc...
    ÌPÁKO - Òrí
    KOKO ÒRÍ – Poente
    ÀPÁ OTUN ÒSU ÀPÁ OSI (direita do aiye) Voduka (esquerda do aiye) centro cabeça ojo òrí – Nascente

    Os quatros pontos do Universo: Ìyo - Òrún - nascente – Leste 
    Ìwo - Òrýn - o poente
    Òtù Àiye - a direita do mundo - Norte - Ariwa
    Òsi Àiyè - a esquerda do mundo - Sul – Guzú

    Correspondente ao Ser – humano
    Òrí - cabeça - o nascente - o nascente - o futuro "`orí inu" { Odu - destino - òrísà - genitor divino e material - origem - Exú individual Bara
    ESE - pé direito - ancestrais masculinos { pé esquerdo - ancestrais femininos
    lado direito - elementos masculinos 
    lado esquerdo - elementos femininos


    Orunmilá






    Orunmilá

    Orunmilá (do iorubá Ọrúnmìlà) é na tradição de Ilê-Ifé o primeiro companheiro e “Chefe Conselheiro” de Odùduà quando de sua chegada a Ilê-Ifé. Outras fontes dizem que ele estava instalado em um lugar chamado Òkè Igèti antes de vir fixar-se em Òkè Itaşe, uma colina em Ifé onde mora Àràbà, a maior autoridade em matéria de adivinhação pelo sistema chamado Ifá. Orunmilá é também chamado Àgbónmìrégún ou Èlà. É o testemunho do destino das pessoas e, por esta razão, é chamado Eléèrì Ìpín.
    Orunmilá participa nos mitos da vida e das aventuras dos orixás e conta-se que teve relações amorosas com um certo número de divindades, como Iemanjá; Ajé, a riqueza, filha de Olókun; e Oxum. Teve ainda muitas outras mulheres, entre as quais Oşúmiléyò e Apètèbì, que é o titulo usado pela mulher do babalaô, encarregada de cuidar dos objetos de que ele se serve para fazer a adivinhação. Há ainda sua mulher Odù, cujo símbolo é Igbàdú, a cabaça de Odù.
    Apesar de suas altas posições, Orunmilá e Olodumaré, o deus supremo, consultam Ifá em certas cerimônias, para saberem o que lhes reserva o destino. Os babalaôs, “pais do segredo”, são os porta-vozes de Orunmilá, que não é orixá nem ẹbọra.A iniciação de um babalaô não comporta a perda momentânea de consciência que acompanha a dos Orixás. Não se trata de ressuscitar no inconsciente do babalaô o “eu perdido”, correspondente à personalidade do ancestral divinizado. É uma iniciação totalmente intelectual. Ele deve passar por um longo período de aprendizagem de conhecimentos precisos em que a memória, principalmente, entra em jogo. Precisa aprender uma quantidade enorme de histórias e de lendas antigas, classificadas nos 256 odù ou signos de Ifá, cujo conjunto forma uma espécie de enciclopédia oral dos conhecimentos tradicionais do povo de língua iorubá.
    Todo indivíduo nasceu ligado a um desses 256 odù. No momento do nascimento de uma criança, os pais pedem ao babalaô para indicar a que odù a criança está ligada. O odù dá a conhecer a identidade profunda de cada pessoa, serve-lhe de guia na vida, revela-lhe o orixá particular, ao qual ela deve eventualmente ser dedicada, além do da família, e dá-lhe outras indicações que a ajudarão a comportar-se com segurança e sucesso na vida. Orunmilá também é consultado em caso de dúvida, quando as pessoas tem uma decisão importante a tomar a respeito de uma viagem, de um casamento, de uma compra ou venda,ou ainda por aquelas que procuram determinar a causa de uma doença.
    Dois sistemas permitem ao babalaô encontrar o signo de Ifá que está sendo procurado, chave do problema que lhe apresenta o consulente. Um deles é bastante elaborado, manipula-se de acordo com certas regras, 16 caroços dos frutos do dendezeiro, os ikin Ifá; o outro é mais simples e consiste em utilizar um ọpẹlẹ Ifá, uma corrente onde estão enfiadas oito metades de caroço de certa fruta. Uma vez determinado o odù por meio desses processos, a resposta a ser dada ao consulente é encontrada pelo babalaô interpretando o contexto das histórias tradicionais correspondentes.

    Orunmilá no Novo Mundo

    A complexa tradição dos babalaôs, que exige muitos anos de memorização dos odus e seu significado não foi transmitida no Brasil. Foi substituída por métodos de adivinhação mais simples, derivados do sistema de Ifá, porém sem ligação com Orunmilá. Em um deles, utilizam-se dezesseis búzios e é Exu quem dá as respostas; num outros são usados as quatro partes de uma noz de cola e é o orixá que responde diretamente às perguntas do consulente.

    Mitos de Orunmilá

    • Ifá foi consultado por Orunmilá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Orunmilá chegou ao céu Olodumaré disse, "Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas?" Orunmilá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Orunmila estava pegando, carregaria para a Terra. Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra), Orunmilá encontrou Ossãe no caminho. Perguntou: "Ossãe, onde vai?" Ossãe disse: "Vou ao céu, buscar folhas e remédios". Orunmilá disse que já havia ido buscá-las. "Olhe todas essas folhas", disse ele. Ao vê-las, Ossãe quis tomá-las a Orunmilá, mas não poderia fazer remédios (feitiços) com elas sem saber seus nomes. Foi Orunmilá quem deu nome a todas as folhas. Assim Orunmilá nomeou todas as folhas naquele dia. Ele disse, "Você, Ossãe, carrega todas as folhas para a terra, volte, iremos para terra juntos". Foi assim que Orunmilá entregou todas as folhas para Ossãe naquele dia. Foi ele quem ensinou a Ossãe o nome das folhas apanhadas.
    • Mediante o uso de conchas adivinhas, Orunmilá revelava aos homens as intenções do supremo deus Olorum e os significados do destino. Orunmilá aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Exu os emboscava na estrada e fazia incertas todas as coisas. O caráter de Orunmilá era o destino, o de Exu, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos. Uma vez, Orunmila viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orunmilá portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obis que usava para ler o futuro. Mas na comitiva de Orunmilá muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil, ofereceu-se para carregar a sacola de Orunmilá. Um outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola. Até que Orunmilá encerrou o assunto dizendo: "Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola". Quando Orunmilá chegou em casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orunmilá esperou. Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orunmilá e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orunmilá lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar. A esposa de Orunmilá pareceu compreende-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado. Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Exu chegou. Exu também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais para quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orunmilá não lhe devia nada. Exu disse que não. A esposa de Orunmilá insistiu, perguntando se Exu não queria a parafernália de adivinhação. Exu negou outra vez. Aí Orunmila entrou na sala, dizendo: "Exu, tu és sim meu verdadeiro amigo!". Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Exu e Orunmilá.

    lendas de orixás-olokún





                                                                       Olokún


    Entre os Lukumi, Olokún é o Orixá dos oceanos, donde toda vida se originou, e o zelador das suas riquezas e mistérios. Como o oceano, que oculta incontáveis mistérios, esta divindade é considerada um dos mais desconcertantes Orixás do panteão Lukumi. Uma lenda do odu Irossun - o principal odu do dilogun em que Olokún se manifesta – enuncia que “ninguém sabe o que descansa no fundo do mar”. Por extensão, nenhum ser humano poderá alguma vez compreender verdadeiramente a magnitude e a força vigorosa desta misteriosa divindade.
    Não há consenso quanto ao sexo de Olokún. Em algumas áreas da África Ocidental, Olokún é considerado masculino, ao passo que em outras é feminino. Para muitos, Olokún é descrito como um rei num palácio subaquático e com muitas esposas. Várias qualidades de Iemanjá e de Oxum são consideradas mulheres de Olokún.
    Hoje em dia, tanto os Babalawós, quanto os Babalorixás e Yalorixás letrados, expostos à recente e massiva disponibilidade de literatura de antropólogos e outros estudiosos da cultura Ioruba, insistem em que Olokún é masculino. Alguns Babalorixás e Yalorixás insistem em que Olokún é assexuado, hermafrodita ou andrógino. Não obstante, as linhagens cubanas onde as principais tradições a respeito de Olokún se originaram, sustentam obstinadamente que este Orixá é feminino. Esta controvérsia também se reflecte nos cantos para Olokún e nos rituais associados com sua consagração.
    A despeito da caridade geral e da boa natureza de Olokún, este Orixá é uma força a ser temida quando contrariada. Um grande número de lendas refere a ira de Olokún.
    Num destes mitos, narrado no odu Ejiogbé Odi, descreve-se a insatisfação deste Orixá com a maneira em que Olorum distribuiu os domínios entre os Orixás. O argumento era que, desde que foi consignado a Olokún governar sobre os oceanos, e estes formam a maior parte do planeta, Olokún era mais poderoso que Olorum e assim era o Ser Supremo. Para demonstrá-lo, os oceanos começaram a criar ondas irrefreáveis e gigantescas que tratavam de afogar a Terra e seus habitantes.
     





    Olokún

    ninguém sabe o que descansa no fundo do mar

    Seu nome vem do ioruba Olokun : Olo: proprietárioOkun: Mar.
    É o Orixá dos oceanos, donde toda vida se originou, e o zelador das suas riquezas e mistérios.
    Babá  Olokún é um Orixá   que governa as profundezas dos oceanos, designado por Olorun para manter o equilíbrio com a terra.
    Uma das maiores forças da natureza, essa energia é desconhecida pelo Homem.
    Como o oceano, que oculta incontáveis mistérios, quase que impossível haver consenso sobre essa divindade, que  considero polêmica tanto como Oxumarê, Logunedé.
    Não há consenso quanto ao sexo de Olokún.
    Em algumas áreas da África Ocidental, Olokún é considerado masculino, ao passo que em outras é feminino.
    Para  a maioria das  linhagens ortodoxas cubanas onde as principais tradições a respeito de Olokún se originaram, garantem que este Orixá é feminino, dentre alguns elementos de sustentabilidade da teoria seria o fato que Olokún seria mãe de Iemanjá.

    Para muitos, Olokún é descrito como um rei num palácio subaquático e com muitas esposas dentre elas varias  qualidades de Iemanjá e de Oxum, que são consideradas mulheres de Olokún.
    Alguns insistem em que Olokún é assexuado, hermafrodita ou andrógino.
    A dúvida persiste ao longo do tempo e seus orikis, cantigas e nas lendas, a controvérsia permanece.
    Olokún é um Orixá com  força a ser temida quando contrariada.
    Na realidade, nenhum ser humano poderá compreender verdadeiramente a magnitude e a força vigorosa desta misteriosa divindade.
    Na minha concepção Olokún é o Orixá andrógino, metade homem e metade peixe, de caráter compulsivo, misterioso e violento  e, em grande parte dos escritos antropológicos ele seja descrito mesmo, como um deus masculino.
    Ha indícios de Olokún ser cultuado como uma mãe divina em algumas partes da região iorubá, na África ocidental.
    Contudo, todas as evidências apontam para o sexo masculino dessa divindade.
    Tendo a capacidade de transformar.
    É assustador quando irritado. Na natureza é simbolizado pelo mar profundo e é o verdadeiro dono das profundezas do desconhecido.
    Representa os segredos do fundo do mar, como ninguém sabe o que está no fundo do mar, apenas  Olokún tem o domínio.
     Também representa a riqueza do fundo do mar e da saúde. 
    Olokún é um dos Orixás mais perigosos e poderosos do culto aos Orixás.
    Pela falta de conhecimento real, não há fundamento litúrgico sobre esse Orixá nem tão pouco inicia-se pessoas para Babá  Olokún, porém fazemos oferendas a ele .
    Alguns o fazem através de Iemanjá e de Oxun.
    É homenageada durante a Festa de Iemanjá.
    As oferendas para Olokún são levadas ao oceano.
    Quando o oceano não estiver à disposição então o lago, o rio ou o canal poderão substituí-lo, por ser Olokún por extensão, também Orixá de todas as águas.
    Trabalha em estreita colaboração com Oia, divindade dos ventos e Egungun coletivo dos  espíritos ancestrais para anunciar o caminho para aqueles que passam para ancestralidade, uma vez que desempenha um papel crítico no Iku, morte e na transição dos seres humanos e espíritos entre essas duas existências. 
    Olokún também significa insondável sabedoria. Isto é, o instinto permanente de que sempre há algo que vale a pena conhecer, talvez mais do que pode ser aprendido, especialmente nas ciências espirituais que a maioria das pessoas passam a vida inteira pensando e buscando respostas. Ele também rege a riqueza material, psíquica, habilidades, sonhos, meditação, saúde mental, e realiza curas simplesmente a base de água.
    Olokun também é um Orixá muito conhecido por ajudar mulheres que desejam filhos e tem dificuldades.
    Ele também é adorado por aqueles que buscam a ascensão política e social, razão pela qual os chefes de Estado, membros da realeza, empresários e socialites do mundo africano que muitas vezes se voltam para Olokún, não só para proteger a sua reputação, mas impulsioná-los ainda mais entre as fileiras de seus pares.
    Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...